segunda-feira, agosto 30

Inveja Musical


Enquanto os homens exercem seus podres poderes...
Motos e fuscas avançam dos sinais vermelhos.
E perdem os verdes...
- Somos uns boçais.
Será que nada faremos a não ser confirmar a incompetência da américa católica, que sempre precisará de ridículos tiranos...
Será que será, que será, que será...
Será que esta minha estúpida retórica terá que soar, terá que se ouvir por mais mil anos?
... Ou então cada paisano e cada capataz por sua burrice fará jorrar sangue demais nos pantanais, nas cidades, caatingas e nos gerais... Será que apenas os Hermetismos Pascoais e os tons os mil tons, seus sons e seus dons geniais nos salvam, nos salvarão dessas trevas e nada mais?
Enquanto os homens exercem seus podres poderes... Morrer e matar de fome, de raiva e de sede são tantas vezes gestos naturais.
Eu quero aproximar o meu cantar vagabundo, para que aqueles que velam pela alegria... Irem mais fundo... Tins e bens vitais.

Podres Poderes.
Caetano Veloso.

quinta-feira, agosto 26

- Eu ando pelo mundo...


... Prestando atenção à coisas que não sei nome...
Lugares, mares, campos, flores, fome, cores...
Meu amor...
Cadê você?
Eu acordei sem ninguém ao lado...
- É a janela do quarto?
- A janela do carro...
- Quem é ela?
- É uma tela
- Quem é ela?
- Eu vejo tudo enquadrado.
- Devolve o controle?
Edição: Lucília Albuquerque

quarta-feira, agosto 25

Procura-se


Aparece meu benzim... Ninguém aqui aguenta a falta que você faz!
=~~~~~~

Imagem por: besteirolando

domingo, agosto 22

Quando eu morro pra nascer de novo.

O calor nem é o mesmo, parece mais aconchego...
é a vontade de ficar... Com a cara enfiada no travesseiro, sem querer ver o mundo inteiro, mas tendo que levantar.
E aí o vento que me leve, agora eu vou é sentir o medo breve
de saber como é não enxergar, andar sem sair do lugar,
morrer sem me matar.
Aos dias mais entregue, quero poder sentir na pele...
pular, cair, gritar, cortar, sangrar, rir até chorar.
No compasso desse dia, não fiz metade do que devia, no pingo de meio-dia, já se vão aí quase cinqüenta anos.
Seguindo sem me olhar, distraída com o teu caminhar,
notei que se eu me aproximar, eu volto a ter dezesseis anos.
Mas como o tempo não pode voltar,
eu acho até que vou ‘mimbora’ deitar, pra ver se eu tô sonhando...
Eu não vou me entregar! E se eu morrer e não vos falar o que é que eu tô pensando?!
- Não quero te atrapalhar. Eu tava só passando. Reparei o seu olhar nas flores deste campo e vim aqui lhe entregar. Não se intimide de pegar... O tempo está passando, minha hora está chegando... Eu já tô até bocejando, está realmente, na hora de acordar!
Daqui a um minuto o galo vai cantar, e eu só quero saber...
- Eu te amo.

quinta-feira, agosto 19

Sen.Ti.Men.Tos

Ei coração...
Eu quero que você seja forte.
Eu não sei andar sozinho...
Sou como cego em tiroteio sem teu passo.

O que sinto é tão bonito...

É Sem você ou sem Sentido.
Tirando você de mim já não respiro.

Se tô na merda não admito.
Preciso de compreensão, amor, carinho
Tendo isso me satisfaço.

Ei, isso é como destino
Caiu no meu caminho
E agora é que eu não largo.

É que tá batendo devagarzinho...
E quando te vejo é um disparo!
Ei coração...
Eu preciso que você seja forte.
É que hoje eu tô com muita sorte
E se o Negão cair no teu raio,
É capaz de eu ter um desmaio
vendo a hora
morrer com sorte.


segunda-feira, agosto 16

Sa'manta

Você que esteve comigo quase a minha vida inteira... Podemos dizer que crescemos juntas, não é? Sempre foi você, sásá, quem aqueceu minha alma com seu jeito fofo e doce de ser... Ensinando-me a ser alguém maior com o tempo...
Nos dias tristes e tediosos... você quem está comigo! Nesses dias, percebemos que nós crescemos juntas, sa'manta! Eu, você e os chocolates!
Quando está frio quem é que me esquenta? Quem acolhe meu corpo? quem me dá abrigo, me acobertando toda? É você... Só cabe você!
Mas samanta, o tempo está mudando... O aquecimento global está cada vez mais intenso e o mundo cada vez mais quente... Tá um calor do caralho e... PORRA, SA'MANTA DE BANHA, SAI DESSE CORPO QUE NÃO TE PERTENCE MAIS, DJABO DO MEU ÓDIO!



Créditos para Mu que serviu de inspiração para eu escrever esse texto... BRINKS
Ela quem deu o título e eu tive a idéia de escrever sobre minha pobre e extensa camada de gordura!
Beijo rolhinha, cefet mimim .core .baço

sábado, agosto 14

Sem voltar à trás

Eu estou aqui, da mesma forma que estive há alguns anos...
A janela ainda é a mesma, a diferença é que não tem mais aquele cheiro de tinta branca... Você sabe que eu sempre acreditei que toda cor tem seu cheiro? Assim como sempre acreditei que cada número pertence à uma cor? Enfim, o cheiro não existe mais, não aquele, de tinta branca. Nem a janela era mais a mesma, agora há poeira e... Não sei.
Eu ando por esta casa, como se a conhecesse com a palma da minha mão. Se eu andasse aqui de olhos fechados, talvez nada fosse derrubado... E isso me deixa realmente triste. Tudo se torna tão obvio... E olha que eu já tentei inovar, mudar a mobília de lugar, comprar móveis novos, mas eu acho que é algo interno, ou em mim ou nesta casa.
Sentada à beira da porta do meu quarto, que se encontra aberta, coisa que eu odeio, eu me pergunto: "E aí?" Sinceramente, não sei se eu queria passar por isso de novo... Talvez se eu ouvisse uma resposta, acabaria logo com isso.
"Faça assim."
Mas infelizmente ou não... Eu sei que não é assim e que essa pergunta é retórica, e não sei só por uma questão gramatical, mas por que a ela ecoa em mim como um zunido chato... Que é capaz de me enlouquecer!
Minha vontade é gritar: "EU NÃO SEI, PORRA! O QUE É QUE SE FAZ DEPOIS DE TUDO?"
Se da ultima vez eu soubesse como seria... A casa, a janela, a porra dos móveis... Eu teria optado por ser tudo diferente...
Não tudo.
Mas...
É.
Tudo.
Eu optaria por não ter uma casa, assim eu podia sempre estar viajando sem me preocupar com nada; veria sempre meus amigos e nunca sentiria falta deles, por que um pouco de amor havia guardado na saudade que há pouco eles haviam deixado; obviamente novas amizades e novos amores sempre surgiriam e o esquema do amor/saudade seria o mesmo citado à cima... Sempre teria um chocolate na bolsa, por que quem iria perceber se eu estava mais gorda ou mais magra? Optaria pelo mais simples sempre, por que nesse compasso a vida segue mais leve e a gente fica menos sobrecarregada, em relação à tudo...
  • Mochila;
  • Roupas;
  • Amor e
  • Uma escova de dentes.
Pronto!
E se eu cansasse?
Se me arrependesse?
Eu pensaria nas coisas que eu escolhi por não escolher...
O gelo da Austrália, a imensidão de Nova Iorque, Os abraços nada afetivos dos japoneses, na estranha sensação de ser amada por uma pessoa sem sequer conhecê-la... mas amar aquele amor. Em ser ladra, Farmacêutica... Atriz!
Mas aí, sem mais nem menos... Como em todas essas outras vezes...

"E aí, í í í í... í ?"